Maternidade

Todos os meus filhos foram planejados. Mas os planos sempre falharam. Na primeira gravidez, li livros sobre parto natural e fiz yoga, me preparando para o momento em que eu meu corpo ia colocar em prática toda sua sabedoria ancestral. Precisei de uma cesariana. No segundo filho, nem a data aproximada do nascimento se confirmou. Foram quarenta dias de antecedência e semanas de UTI.

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Aventureiros

Reparei em um grupo de homens muito parecidos recentemente. Eles não se conhecem e há boa diferença de idade entre eles, mas algumas semelhanças no comportamento me chamaram atenção. São profissionais dos números, daqueles que colocam três dígitos depois das vírgulas. Inteligentes e bem-sucedidos na área de exatas, são organizados e introspectivos. Nos ambientes coorporativos em que atuam, mantêm a discrição, mas despertam a curiosidade por uma característica instigante: são aventureiros.

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Sanguínea

Um amigo querido, dos tempos de colégio, me mandou uma foto de uma laranja do tipo sanguínea. Eu não conhecia a espécie, que é comum nos países da Europa mediterrânea. Eu havia escrito sobre os diversos significados da palavra que deu nome ao blog.

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Ciúme

Inventei há algum tempo uma historinha sobre o ciúme para a minha filha caçula. Dizia assim: O ciúme é um senhor miúdo, de fraque e cartola, que mora no nosso coração. Ele pode parecer galanteador e até simpático. Mas se damos muita atenção a ele, o danado vai crescendo e perde a compostura. Primeiro, se rasga e se descabela. Depois, grita e machuca e, por fim, acaba deixando a gente louco.

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Descasada

Querida, eu imagino como se sente. Lembro o dia em que parei na frente do espelho certa de que havia algo muito errado comigo. Demorei um tempo me olhando confusa até que pensei: essa roupa não casa. E então, a palavra “descasada” bateu em mim feito um tapa. Meu desconforto não estava na aparência, mas na perda de um papel, um projeto, uma segurança. Quando se é uma mulher sem marido e com filhos, parece que olhos anônimos espreitam e nos condenam por isso.

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Inútil

Encontrei uma amiga com quem não conversava há algum tempo. Nós, apesar de termos a mesma profissão, não costumamos nos ver em eventos de trabalho, mas em compromissos maternos. Ela, como eu, tem 3 filhos. Idades parecidas e alunos das mesmas escolas. Nosso assunto nos últimos 15 anos, na saída de uma apresentação de teatro, na barraquinha de uma festa junina ou à espera por uma reunião de pais, sempre foram as crianças. Mas, os meninos crescem (ufa!) e, dessa vez, eles não foram o tema principal da nossa conversa

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Sobrenome

Filhos queridos, Sei que, na época da alfabetização, vocês eram os últimos a terminar de copiar a ficha. Sei que o espaço nos formulários nunca é suficiente. Mas, me deixe explicar melhor o que penso sobre esse nome comprido que vocês têm, com quatro palavras depois do prenome. Não me parece razoável que só o lado masculino seja contemplado nas certidões de nascimento, como se não fossem as mulheres as responsáveis pela maior parte do cuidado com a família.

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