Bandeira

Já entendemos. Nosso país não é tão amável quanto queríamos supor. O aparente respeito às diferenças não passava de um verniz, que escondia desprezos profundos. Nos desiludimos. A preocupação com o bolso é maior do que o apego às liberdades. Nossa democracia é frágil, porque não está enraizada em cada cidadão. Trombamos com a verdade. Com a triste escolha entre cofres e vidas.

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Pérola

Já perdi pessoas para a vida. Já perdi pessoas para a morte. Por que estou tão abalada com a possibilidade de perder uma cachorra? É que, nesses quase doze anos, não fui eu a mãe da Pérola. Ela é que foi um pouco mãe dos meus filhos, quando eu saía cedo para trabalhar e ela se deitava ao lado da cama de um deles. Apesar dos cuidados que dedicamos, sentia que era ela que nos tratava.

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A visitante

É uma senhora. Difícil precisar a idade. Mas nao se chega a esse estado sem ter deixado para trás as décadas da juventude. Seu olhar nada inquire. Foi ofuscado pela complexidade do presente e se tornou cego para o convite do futuro. O rosto tem as marcas das rupturas que desatam os amores e da morte dos discursos de mudança.

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Crime

O capoeirista Môa do Katendê foi assassinado ontem à noite em Salvador. Depois de uma discussão política, recebeu 12 facadas de um eleitor de Bolsonaro, conforme informou a Secretaria de Segurança da Bahia. No momento do crime, o líder do primeiro turno dizia na TV: “Vamos botar um ponto final em todos os ativismos do Brasil”. Sua voz ecoou naquele boteco de uma comunidade pobre, onde tombou o militante da cultura afro-brasileira.

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Sombra

Daqui a alguns dias faço aniversário e já disseram que devo estar vivendo meu inferno astral. Minha alma está escura, pesada de dúvidas. Como evitar o confronto, sem ser omissa? Como ser combativa, sem ser agressiva? Como defender certezas, sem ser arrogante? Como recusar ideias, sem virar as costas?

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