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Abandono

População, em fadiga pandêmica, abandona o isolamento.
Crianças sozinhas abandonadas na fronteira dos Estados Unidos. Só no mês passado, foram 18 mil.
Mensagens sem reposta abandonadas no celular.
Pacientes intubados, amarrados em camas sem sedativos, são abandonados ao desespero.
Pela primeira vez, depois de décadas, milhões de pessoas serão de novo abandonadas à fome extrema no mundo.
Menino abandonado pela mãe à violência do padrasto.
Cresce o número de suicídios entre menores. Crianças e adolescentes escolhem abandonar a vida.
Em festa da indiferença, convidados abandonam as máscaras.
Estudantes abandonam os estudos e evasão escolar aumenta 66% na América Latina.
Para preservar a saúde mental, muitos escolhem abandonar o noticiário.
A vida, abandonada de tantas formas, espera que alguém a reencontre.
Nós, tão impotentes, nos sentimos pequenos.
Porém, não é uma pequeneza qualquer. É uma pequeneza heroica de formiga, que carrega peso cem vezes maior do que o do corpo.
Quando tantos desistem, quando tudo desampara, quando se abre mão das esperanças e nega-se atenção às dificuldades, nós não nos rendemos.
Quando é mais fácil desinteressar-se e afrouxar as rédeas, nós não renunciamos ao cuidado.
Somos minúsculos nesse cenário, mas somos valentes por persistir.
Num momento de tanto relegar, somos os imensos que não abandonamos.
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