Bandeira

Bandeira

Já entendemos. Nosso país não é tão amável quanto queríamos supor. O aparente respeito às diferenças não passava de um verniz, que escondia desprezos profundos.

Nos desiludimos. A preocupação com o bolso é maior do que o apego às liberdades. Nossa democracia é frágil, porque não está enraizada em cada cidadão.

Trombamos com a verdade. Com a triste escolha entre cofres e vidas.

Agora estamos cientes de que a luta não é contra partidos ou mitos, mas contra sentimentos violentos, egoístas e preconceituosos que moram em cada um.

Então, lição aprendida. Vamos caminhar.

É porque temos angustia que vamos procurar resposta.

É porque estamos doentes que buscaremos a cura.

É porque estamos oprimidos que desejamos romper.

Eles falam em arma. Falaremos em arte.

Eles falam em perseguir. Falaremos em proteger.

Eles falam em acabar. Falaremos em reinícios.

Eles exibem o sangue. Exibiremos a vontade.

A bolsa de valores vai subir numa direção e nós iremos no sentido oposto, porque nossa referência não é o lucro, mas as pessoas.

Para que o rapaz negro possa voltar para casa, sem ser agredido numa batida policial.

Para que os últimos índios resistam, nos ensinando como lidar com o meio ambiente.

Para que as meninas possam se olhar com desejo, sem que nenhum desejo alheio se imponha a elas.

Para que cada um possa ser ativista da sua própria luta, fazendo os surdos escutarem sobre o que desconhecem.

Para que a política volte a ser lembrada como forma solidária de desenhar o destino da pólis, o destino de todos.

Para que nossos ídolos nos inspirem.

E para que não sejamos expropriados das cores da bandeira desse país que nos acolhe.

Fico com Renato Russo:

“Vamos cantar juntos o hino nacional! A lágrima é verdadeira”.

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