Palavras

Palavras

Acho um luxo a expressão “pessoa de poucas palavras”. Em certo sentido, é uma meta. Um desafio para alguém como eu, cheia de convicções.

Mas o tempo ensina. Quanto mais escuto, menos falo. Quanto mais descubro os motivos profundos das pessoas, menos acredito na minha capacidade de fazer julgamentos imprudentes, precipitados, injustos.

As palavras podem ser cortinas, que impedem a visão do outro e até de nós mesmos. Temos tantos discursos prontos sobre quem somos, tanta coisa que inventamos para justificar nossas atitudes e nos manter no mesmíssimo lugar. É só quando essas crenças falham que podemos enxergar um rasgo de verdade.

Claro que nossa vaidade resiste. Estamos convencidos de que todas as respostas moram na nossa consciência, que nossa ruidosa atividade mental detém toda a razão. Porém, há entendimentos que só surgem na falta de explicação, no vazio da calmaria ou do abismo.

É preciso visitar um lugar sem respostas. Deixar uma fresta para entrarem palavras de língua desconhecida, que esperam para contar histórias adormecidas, que não desenham contornos nítidos, mas diluem as angústias.

Onde vamos encontrar as palavras para escrevermos algum sentido para nossa existência? As belas moram no silêncio. As superficiais estão por aí, fáceis e oferecidas.

É bom que a gente não desista da busca e não se conforme com as explicações. Isso é próprio da juventude. Porém, dos maduros, se espera uma sabedoria a mais: a liberdade de, às vezes, não saber e a capacidade de suportar a insegurança não ter certezas sobre tudo. Calar é para poucos. E pode ser revolucionário.

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