Raízes

Raízes

Temos habitado a superfície das coisas. Enquanto cresce o imenso terreno da informação, vamos, feito planta rasteira, sem produzir flor ou lançar semente, alastrando na mesmice.

Mas, de vez em quando, alguma força convoca para a origem e, então, somos capazes de visitar a essência. Nos últimos dias, dois fenômenos da internet (quem diria!) promoveram esse encontro.

Seu Nilson Izaias Papinho é um aposentado de 71 anos, com a simplicidade dos anônimos. No seu sítio no interior paulista, decidiu gravar alguns vídeos e foi visto por 10 milhões de pessoas. Gente de todas as idades e lugares, que se enterneceu por seu sotaque de erre fundo, óculos na ponta do nariz, sorriso contido, escondendo os muitos dentes que lhe faltam. O cenário, na maior parte das vezes, é a área de serviço, com vassouras ao fundo, modesto como a prosa dele, sem nenhuma afetação.

A outra simpática surpresa foi Dona Sueli Rodrigues, de 70 anos. Ela conquistou 20 mil seguidores em uma rede social em apenas uma semana. Com cabelos grisalhos, pele negra e corpo magro, ela exibe o domínio da idade. Serena e alegre, faz fotos com seu modelito do dia e não esconde as justas marcas do tempo.

Ela poderia ser a avó de qualquer um de nós. Seu Nilson poderia ser o nosso avô. E essa característica de comuns e despretensiosos é que os tornam tão atraentes, numa rede em que todos tentam se destacar.

Nenhum dos dois almejava o sucesso e, justamente por isso, numa contracorrente, foram elevados na maré de curtidas.

Parece que algo em nós não desiste de procurar pela identidade e tem fome do que é autêntico.

Ainda bem. Seguindo o percurso das raízes, ainda podemos nos nutrir de verdade.

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