Remanso

Remanso

Depois de procurar caminho na terra escura, de atravessar terreno, de contornar barreira, a natureza oferece um pouso.

As margens abrem os braços numa enseada. O rio se entrega. Esquece a pressa e se aquieta.

Eu também sou ser de água agitada. Preciso fazer paragem, diminuir a correnteza.

Careço de dias de superfície tranquila e profundidade em movimento.

Tempo para escutar os sussurros das vidas às margens da minha.

Então, procuro colo como um leito largo para os sentimentos.

Conversas como sombra fresca de igarapé.

Nesses momentos, sou remanso. Água doce, esquecida do sal que me falta.

E torço para que o rio demore a fazer a próxima curva, para que eu possa resistir ao fluxo de seguir de novo arrastando galhos, cavando barranco e empurrando a vida em direção ao mar.

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