Tecno

Tecno

1 ano – Na cadeirinha de refeição, brinca com um tablet e abre a boca sem olhar para a comida, oferecida por um adulto apressado.

2 anos – É entretida por vídeos para conseguir dormir, suportar esperar e tolerar andar de carro.

3 anos – Pequena tirana, manda na TV da casa e é obedecida pelos pais, culpados por trabalharem muito.

5 anos – Se enfeita e faz selfies sozinha, que a família exibe orgulhosa.

8 anos – Ganha perfis nas redes sociais e experimenta o prazer de receber curtidas.

10 anos – Descobre que o bullying na internet é muito pior do que o bullying feito apenas na escola.

12 anos – Passa os recreios escondida no banheiro, porque um namoradinho espalhou os nudes dela.

15 anos – Se compara com os inatingíveis parâmetros do mundo virtual. Apresenta transtorno alimentar.

17 anos – É especialista em séries. Só conhece o mundo pelas telas e acredita que o domina.  

20 anos – Já tem experiência em iniciar e romper relacionamentos com plateia on line. É convidada para as baladas mais disputadas, onde não encontra o romance que deseja.

22 anos – Hiperinformada. Sabe de tudo antes de todos e sente-se pressionada a ter opinião sobre os mais diversos assuntos. Mas não é capaz de decidir o que fazer com tantos dados.

25 anos – Não consegue se prender a um projeto, a uma opinião, a um grupo. Seu mundo parece provisório e seu único apego é aos próprios erros, que não sabe desculpar.

27 anos – Início das crises de ansiedade. Faz a primeira sessão de terapia com o celular vibrando na mão.

Nas primeiras semanas, o diálogo passa pelo aparelho. Depende dele para mostrar fotos, áudios e trocas de mensagens.

Depois de alguns meses, a subjetividade encontra espaço. Ela enfrenta a abstinência da gratificação instantânea das redes sociais. Desativa o modo de julgamento rigoroso, gerado pelo ciclo de exposição e aprovação da própria imagem.

Em menos de um ano, substitui o excesso de contato por encontro. Troca milhares de seguidores e visualizações por emoções de verdade.

Agora, sua meta para os 30 anos é ter amigos de defeitos comuns, para que possam, sem nenhuma mediação tecnológica, cuidar uns dos outros.

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