Festas

Festas

Nesta época do ano, em algumas casas, prepara-se encontros que são promessa de desconforto. Ceias em que serão servidas alfinetadas e copos cheios de ressentimento.

Voltar à família de origem pode nos fazer voltar a conflitos antigos e, então, como crianças inconformadas, apresentamos as cobranças embaladas para presente: Por que você não me ama como eu preciso? Não me defende como eu espero? Não me enxerga como eu sou?

O clima de celebração pode tomar a forma de uma hipocrisia indigesta e acabar despertando o impulso de denunciar conflitos.

Mas, vou dizer uma coisa, melhor deixar as armas em casa antes de ir para a festa e DESISTIR.

Como desistir de cobrar ofensas graves, dores fundas e injustiças gritantes?

É que não há pagamento possível. Só se dá aquilo que se possui. Melhor aceitar o que o outro tem ou não tem para dar.

Mas desistir não é uma covardia?

Não, é sabedoria. Evitar embates desnecessários e deixar para se posicionar na hora certa, se ela surgir.

Mas desistir de esperar o melhor da minha família não é abandono, ingratidão?

Não, é evitar armadilhas desgastantes e entender que cada um percorre seu próprio caminho, no seu próprio tempo. E alguns escolhem até não caminhar.

Desistir de mudar o outro, de provocar a transformação, não é apenas uma atitude mais pacífica e madura. É libertador.

É possível se presentear com um pouco de paz neste Natal. Escreva num cartãozinho para você mesmo a seguinte frase de Clarice Lispector:

“A desistência é uma revelação”.

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