Masculino

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Nesta semana, dois policiais mineiros sacaram suas armas para matar mulheres com quem viveram relacionamentos amorosos. Duas tragédias distintas e um drama genérico: o feminicídio aumentou trinta por cento no estado nos últimos três anos.

Fico pensando nesses assassinos que, por cultura da profissão, acreditam, ainda mais do que os outros homens, que a força é o caminho para tomar o controle das situações. Mais treinados para reprimir e punir, do que para negociar.

Se apenas a repressão funcionasse, a Lei Maria da Penha, instituída há 12 anos, teria conseguido conter a violência contra a mulher. E, se a repressão interna funcionasse completamente, esses homens poderiam escolher nunca experimentar sentimentos que os colocam vulneráveis diante de suas parceiras.

Quem são os homens que continuam matando, cometendo abusos físicos e psicológicos, em recusa contra o avanço civilizatório? Entre tantos fatores, um dos meus palpites é sobre uma geração prensada entre o velho modelo de macho e as perdas de papéis dos novos tempos. Em qual lugar pode se afirmar um homem, apegado aos antigos padrões, se a mulher não depende mais dele para ter dinheiro, posição social, sexo ou mesmo filhos? Com a virilidade ferida, partem para o ataque. Sem nada mais a oferecer, agridem para se sentirem potentes.

Os homens, criados no discurso machista, estariam preparados para se “deseroizar”? Saber dos seus limites e dos seus medos? Se assumirem humanos e escutarem a própria dor e insegurança, sem receio de se tornarem fracos?

Pergunto ao meu filho, de 14 anos, o que é um homem forte. Ele diz que é alguém que enfrenta suas dificuldades. E não importa se faz isso com ou sem ajuda. Conhece e aceita os seus sentimentos e respeita o dos outros.

Nas minhas palavras, é alguém que não precisa se esconder, se comunica e se posiciona no mundo, disposto a trocas. Um ser humano que se torna consistente e confiável porque sabe da sua própria alma.

Acredito que as mulheres, de forma geral, não desejam parceiros dominados e submissos. A submissão não serve a nós, nem a eles. Só desejamos que os homens busquem o tipo de força que a nova geração já compreendeu e, então, poderão se tornar mais desarmados, em todos os sentidos.

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