Milton

Milton

Escute o Milton e tente ouvir o coro de gratidão que o acompanha. Na década de 60, ele ganhou como prêmio, em um festival, a gravação de um disco. Um sonho para um artista ainda desconhecido. Mas ele se recusou a desfrutar sozinho e disse à gravadora que só iria ao Rio fazer o álbum se pudesse levar os companheiros. Sua generosidade não criou apenas um disco com muitos talentos, mas um dos mais importantes movimentos musicais do país: o Clube da Esquina. Isso é ter amigos guardados do lado esquerdo do peito.

Ouça bem essa voz, extensa como os sentimentos, que não se calou durante os tempos sombrios da ditadura. Enquanto tantos artistas estavam exilados, ele ficou. Escreveu, cantou e demonstrou que preservar a beleza também é uma forma de resistência. Soprou a brasa da esperança e nos fez crer que os sonhos não envelhecem.

Repare no timbre. Potência emprestada para a delicadeza. A escolha pelo tom feminino. Renúncia da força em nome da suavidade, porque reconhece: minha voz vem da mulher.

Veja a discrição, as entrevistas tímidas de poucas palavras, os longos intervalos sem aparições públicas. Nenhum esforço para inventar o que não é. Só verdades que se derramam na música.

Observe os gestos sem nenhuma afetação de quem foi aclamado nos maiores palcos do mundo, mas também sofreu vários episódios de racismo.

Reconheça esse jeito de ser do mundo e ser de Minas. De abrir janelas para as montanhas e portas para dentro. Vestir boné de maquinista e conduzir a viagem para o melhor do ser humano. 

Feche o olhos e sinta essa personalidade, de poesia e som. Tente se conectar a essa essência terna para entender com a alma o que ele ensina sobre a grandeza presente na simplicidade da vida.

Escute o Bituca: Tudo que move é sagrado.

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