Mineira

Mineira

Pra te conhecer, quero saber o fundo.
Nem vou olhar as fotos, ouro de tolo.

Mas, não se preocupe. Não vou te assustar com a dinamite do desejo, nem usar o raciocínio perfurante.
Vou apenas seguir seu assovio distraído pra me guiar nas galerias da memória.

Pode jogar na bateia o currículo, o passado, seus orgulhos.
Vou lavar tudo até deixar, no fundo, você criança.

Vou rejeitar toneladas de explicações para ficar com gramas de identidade.
Olhar os sonhos pelos buracos.

Prefiro as paredes barrentas do lugar onde seus medos minam.
É lá também que a água limpa se acomoda entre as rochas.

Se seu escuro puder me ser familiar
Não precisarei fechar os olhos a nenhum defeito à luz do sol.

Se puder mineirar no seu território, me sentirei rica
só pelo acesso à preciosidade dos seus sentimentos.

E me fazendo especialista na sua geologia
já terei, muito antes, me tornado, do seu afeto, depósito e sedimento.

Comentários
Fechar Menu