Natal

Natal

O Natal vem chegando e que alegria me dá! Não porque eu tenha sido criada nesse espírito. Pelo contrário. A vida dos meus pais era dura e eles eram pragmáticos. Não nos ensinaram a acreditar em Papai Noel, não frequentavam nenhuma religião e não havia qualquer celebração tradicional na nossa família.

Mas eu, imaginativa, fui capturada pelas imagens dos cartões de Natal que chegavam pelos correios. Juntava, encantada, as figuras com aplicações em dourado e, lá pelos 7 anos, decidi montar eu mesma a árvore de Natal magrela, que, na nossa casa, sempre ficava atrasada pela falta de tempo geral. Vi diversas bolinhas de vidro fino escorregarem das minhas mãos, descerem pela linha e espatifarem no chão. Mas não desisti da árvore, que passei a montar todos os anos.

Virei a entusiasta da festa e passei a colecionar livros e contos de Natal. Já repórter, certa vez fiz uma série de matérias sobre as tradições dessa época. A que mais me lembro é a consoada, a ceia feita em casas simples do interior com doação de delícias produzidas por todos os vizinhos. Cada um faz o prato que pode compartilhar e isso garante mesa farta e variada para todos.

Mais tarde, escrevi 24 historinhas sobre o Natal para ler com os meus filhos ao longo do mês de dezembro. A coleção de livrinhos acabou sendo publicada com curiosidades e lições. Você sabia que o galo está no presépio para anunciar um novo tempo? Sabia que o Papai Noel foi inspirado em um homem generoso que ajudava sem ser visto? A data homenageia Jesus, mas poderia exaltar outra grande alma. A história do Cristo com os apóstolos mostra o que pode ser feito quando se acredita no melhor das pessoas. A história da folia de reis mostra a dedicação de quem faz comida para receber a cantoria em casa. A estrela de Belém diz sobre algo elevado a perseguir.

É transcendência, busca por sentimentos valorosos. Talvez o Natal tenha sido minha primeira experiência de amor pelo simbólico, que, depois, se tornou minha matéria prima de trabalho. Também se tornou pretexto para nos juntarmos em torno de algo belo. Já fizemos auto de natal, coral de canções natalinas, árvore com o nome de todas as pessoas que amamos e, de uns anos pra cá, imprimimos as fotos dos melhores momentos do nosso ano e incluímos na decoração.

Pra mim é o Natal. Para a família de sambistas é o carnaval. Para o filho do torcedor é o futebol. Para os religiosos é o seu culto. Eventos que se tornam especiais graças ao nosso investimento de emoção e colocam algo de afeto na sobrevivência árida.

Às vezes, não recebemos esses significados por herança, mas podemos criá-los. Sempre é possível sermos para nós mesmos um pouco do pai e da mãe que nos faltaram.

Pegue suas plantas, seus discos, seus quadros ou seus pisca-piscas e enfeite a vida.

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