Outra vez

Outra vez

Terminei mais um namoro. Muitas pessoas próximas a mim nem se surpreendem mais com meus inícios ou fins. Algumas desfrutam dos meus casos amorosos como uma nova temporada de uma série. Casamentos foram três, com papel passado e festa. No último, quando entreguei o convite a um tio meu, ele falou: – Desta vez vou estar viajando, mas no próximo eu vou.

Dou risada disso agora, mas na época não achei graça. Para mim é sempre sério e, talvez, por levar os relacionamentos a sério demais é que eu não me conformo que eles sejam medíocres, desconectados ou sufocantes. Dividindo a mesma casa ou não, acho que os amores devem ser um lar, onde a gente se alimenta, se abastece para caminhar no mundo.

Não é possível medir os ganhos dessas relações pelos meses ou anos que duraram. Valem pelo que pude dar e pelo que me ofereceram para me aproximar dos meus desejos, que já foram muitos: dividir uma casa com alguém, ter filhos, compor uma grande família, experimentar novas emoções, ter diversão, tesão, sossego, parceria…

As rupturas nunca deixam de doer. Cada uma traz a memória de todas as anteriores.

Já me peguei pensando que fracassei no projeto de encontrar um amor para dividir a vida inteira. Mas espanto esse pensamento, fantasma do amor romântico, com a certeza que fui bem-sucedida em permitir que os encontros me trouxessem vida. Ainda que, às vezes, partes ruins dela…

Acredito em segundas, terceiras e milésimas chances, sem esperar completude ou perfeição. Quem explicou esse tipo de confiança insistente foi Rubem Alves, a quem sempre recorro para fazer as pazes comigo ou com o mundo:

“Otimismo é quando a gente sorri para o futuro por causa de. Esperança é quando a gente sorri para o futuro a despeito de”.

A despeito do desafio que representam, tenho esperança nas relações. E busco. Não a certa. Mas as boas.

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